O palestrante convidado para iniciar a programação do terceiro e último dia da Acaps Trade Show 2026 foi Caio Coppolla, professor, colunista e comentarista político e econômico, que falou sobre “Para onde caminha o Brasil – análise e perspectivas políticas econômicas”. Ele apresentou um panorama das Eleições 2026 e destacou que os empresários e profissionais precisam compreender o ambiente político-econômico para antecipar tendências e tomar decisões mais assertivas nos negócios.
Coppolla começou citando um comentário do publicitário Nizan Guanaes ao afirmar que o Brasil é abençoado pelo fato de que não precisou caminhar em direção ao futuro. “O futuro foi caminhando em direção ao Brasil”, disse, destacando algumas vantagens do Brasil: petróleo, energia limpa e renovável, terras raras e segurança alimentar, incluindo ainda o que chamou de a cereja do bolo: a experiencia humana, que continua sendo muito valorizada.
O palestrante ressaltou que o mundo passa por uma transição, caminhando para o século 21, e que conflitos como o do Oriente Médio e o estreito de Ormuz reverberam na economia planetária. Na sua análise, considerando que o mundo ainda é movido a petróleo, o Brasil tem vantagem por ser uma nação exportadora e que nem começou a explorar o que pode ser a principal reserva do país que está em alto mar, distante a quilômetros do Rio Amazonas.
Outras forças do país, segundo ele, estão em possuir a maior a matriz limpa renovável do mundo, elementos naturais que estão escassos no mundo, como as terras raras, e segurança alimentar. “Em tese, pode haver um ambiente de muita prosperidade e ampliação do leque nutricional da população. Nós produzimos alimentos e alimentamos 1 bilhão de pessoas. De cada dez países, oito precisam importar comida”, disse.
Sobre o cenário político, Coppolla dividiu com o público quais são as três preocupações do eleitor hoje: corrupção, criminalidade e custo de vida. Comentou que, infelizmente, como sociedade, o país normalizou a corrupção, com o agravante de uma mudança na natureza da corrupção no Brasil, com situações como o escândalo do INSS e a fraude do banco Master.
Na sua apresentação de cenário, citou pesquisa Atlas Intel que aponta que o crime é a grande preocupação para nove em dez brasileiros, e que metade se sente insegura onde mora. Outros dados da pesquisa destacados estão no perfil dos eleitores: pela primeira vez na história, a juventude é mais de direita do que esquerda, e enquanto a direita se informa sobre política pela internet, a esquerda tem como meio a TV.
Monja Coen chama a atenção para como estamos nos relacionando com a individualidade e o coletivo
O público lotou o auditório master da Acaps Trade Show 2026 para ouvir os ensinamentos da Monja Coen na palestra “Caminhos da consciência – saúde mental e longevidade”. Fundadora da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e autora de livros best-sellers, Monja Coen já impactou mais de 150 mil pessoas com lições sobre autoconhecimento, liderança consciente e transformação social.
Logo no início, a palestrante lançou uma provocação aos participantes ao perguntar como estão vivendo e como se relacionam com sua individualidade e no coletivo. “O que nós estamos fazendo? E em quanto empresa nós estamos cuidando dos nossos colaboradores? Se você não está bem, você cuida as pessoas à sua volta? Se a sua vida familiar não é boa, você vai ser capaz de ser gentil com os outros? Não.”, sentenciou.
Em seguida, falou sobre a importância de ser grato mesmo nas coisas que parecem simples. “Nós somos frutos do milagre da vida. Ninguém sabe o que é a consciência humana, não dá para pegar. A tecnologia está aí para nos ajudar nisso tudo. Ela é a cópia rudimentar da mente humana e nós mal conhecemos a própria mente. Temos que começar a nos conhecer e a agradecer pelo que entra pelos olhos e demais sentidos”, afirmou Monja Coen.
O autoconhecimento, segundo ela, é importante, assim como a coragem de procurar ajuda quando a mente falha. “Os homens, por exemplo, têm dificuldade de falar sobre tristeza. Mas não podemos esconder a dor. Temos que procurar quem nos ajude a ver com clareza”, disse.
A palestrante convidou a plateia a fazer um exercício diário todas as noites antes de dormir, que é lembrar de fatos bons que aconteceram no dia, e ainda a pensar sobre como está fazendo a passagem do bastão da vida. “Estamos banalizando as relações humanas. Se queremos um mundo melhor, precisamos pensar em como ter relações mais saudáveis e harmoniosas”, disse.
Por fim, Monja Coen citou que as falhas e os erros fazem parte da vida e que o importante é não desistir. “Não desista de você, não perca as oportunidades e faça acontecer. Lembre-se que você governa a própria vida. Força e coragem. E coragem é o que vem do coração”, afirmou.
Fórum Gestão de Pessoas debate novos modelos de trabalho e riscos psicossociais
O Fórum de Gestão de Pessoas integrou a programação no último dia do evento, com duas palestras e uma mesa-redonda. A executiva de RH do Grupo Savegnago, Jaciani Rizziolli, falou sobre o tema “Além da escala – Como novos modelos de trabalho podem transformar pessoas, produtividade e resultados no varejo”, enquanto o superintendente Regional do Trabalho no ES, Alcimar Candeias da Silva, abordou as alterações na NR 1 e os riscos psicossociais no trabalho.
O debate seguiu com a mesa-redonda “Super Essencial – Como garantir relações de trabalho mais sustentáveis no varejo”. A mediação ficou por conta da diretora de Gente e Gestão do Grupo Coutinho, Fabiana Vieira.
Para Alcimar Candeias, o desinteresse da geração Z pelo modelo de trabalho oferecido atualmente está associado ao alto custo de vida brasileiro. “O que está acontecendo não é problema do comércio, mas é um problema que precisa ser enfrentado pelo comércio. As condições de trabalho, a baixa remuneração, a necessidade de passar duas horas no trânsito para se deslocar entre o trabalho e a casa, muitas vezes, e a jornada exaustiva afastam o trabalhador. A tendência é que as pessoas busquem outras formas de renda”, explicou.
Dessa forma, a orientação do superintendente foi para que os supermercados invistam no cuidado com o colaborador. “Eles devem ser acolhidos, respeitados e realizar o trabalho de forma decente. As empresas não podem fazer as pessoas adoecerem”, ressaltou Candeias.
Já Jaciani defendeu que a construção de uma relação sustentável passa pela educação. “Varejo não é hospital para ficar 24 horas aberto. As empresas podem influenciar o comportamento do consumidor. Mas, para isso, o setor precisa se unir”, disse.