Notícias mercado

Compartilhe nas redes sociais:

Vereadores aprovam flexibilização de lei que proibia canudinhos plásticos em Santa Maria

Câmara de Vereadores de Santa Maria, município da Região Central do Rio Grande do Sul, aprovou por unanimidade, na última terça-feira (11), uma flexibilização da lei que proíbe o fornecimento de canudinhos plásticos em estabelecimentos comerciais da cidade.

A alteração libera a distribuição de canudos feitos de qualquer material biodegradável, e não apenas de papel. O motivo da mudança é a insatisfação de empresários da cidade com o alto preço e a dificuldade para encontrar no comércio local o material previsto inicialmente.

 

Da esquerda para a direita: o canudo de papel, inicialmente o único permitido; o que é apresentado como biodegradável, mas que gera microplástico poluente, e o que continua proibido pela Lei 6262.

Conhecida em Santa Maria como lei dos canudinhos, a Lei 6262 foi sancionada em setembro do ano passado, e o prazo para se adequar acabaria em março deste ano. Mas a prefeitura ainda não tinha uma regulamentação. Por isso, apesar de poucos estabelecimentos cumprirem a lei, ninguém foi multado por distribuir canudos de plástico.

 

A proposta de lei e o pedido de atualização foram feitos pelo vereador Admar Pozzobom (PSB). De acordo com ele, a mudança vai ajudar na fiscalização.

"É uma maneira quem temos de implementar, de fato, uma atitude que é boa para o meio ambiente, mas que também possibilita que a lei possa ser cumprida e a fiscalização seja feita", diz Pozzobom.

 

Para especialistas em química e meio ambiente, é preciso ficar alerta. Nem todos os canudos apresentados como feitos de materiais biodegradáveis realmente ajudam a natureza.

Pesquisas apontam que apesar das aparências ou o que dizem a embalagens, muitos dos materiais têm apenas substâncias químicas que aceleram a degradação do material, porém o plástico se transforma em pedaços menores e segue na natureza.

 

"Ele vira um pó, gera um microplástico. Esse tamanho diminuto da partícula da poeira vai voar e vai atingir os mares, rios, os pássaros. Aves vão comer junto com o alimento. Vai para a água que é captada pela pela estação de tratamento. Nós estamos ingerindo água tratada com microplástico. Hoje uma das maiores fontes de poluição são os microplásticos", explica a professora de química Marta Tochetto.

 

"É completamente diferente do biodegradável. O biodegradável seria um plástico derivado de uma matéria vegetal, como mandioca, milho, que no meio ambiente os micro-organismos vão decompor, vão usar esse material como alimento", acrescenta.

 

A proposta foi encaminhada para a sanção do prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom. Procurada pela reportagem, a prefeitura não respondeu sobre a mudança na lei e a fiscalização nos estabelecimentos comerciais.

 

Fonte: G1 - Rio Grande do Sul

 

 

 

Outras Notícias