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Alimentos elevam prévia do índice no mês, dizem analistas



Com a alta sazonal dos preços de alimentos e bebidas no início do ano, a prévia da inflação oficial deve ter acelerado em janeiro, na avaliação de economistas, puxada também por aumentos mais fortes em despesas pessoais e saúde. Na média, 25 economistas e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data projetam aumento de 0,39% da prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA-15, neste mês, depois de variação positiva de 0,19% em dezembro. As estimativas para o indicador, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje, variam entre 0,32% e 0,50%. Apesar da aceleração, o ritmo de alta dos preços neste início de ano é bem mais brando do que em 2016 (0,92%) e na média dos últimos quatro anos (0,84%). Por isso, em 12 meses a inflação acumulada deve cair de 6,58% para 6,03%.


Fábio Romão, economista da LCA Consultores, estima alta de 0,34% do IPCA-15 em janeiro, menos da metade da variação observada em igual mês de 2016. "Isso tem a ver com o comportamento de alimentos e bebidas, especialmente dos produtos in natura", disse ele. A expectativa é que os preços de itens como hortaliças, verduras e frutas subam neste mês, mas em magnitude bastante inferior ao que costuma acontecer no período. É o caso dos tubérculos, raízes e legumes, que caíram 7,96% na prévia do mês passado e agora devem ter deflação de 0,8%. Assim, os alimentos e bebidas devem sair de queda de 0,18% em dezembro e subir 0,37% em janeiro, diz o economista. Para Romão, o grupo ainda está devolvendo as altas do meio do ano passado, causadas pelo "El Niño", mas o comportamento ao longo de 2017 deve ser mais favorável, diante das expectativas positivas para a safra no ano.


Outros grupos vão mostrar pequenas acelerações em janeiro, observa o economista. É o caso de saúde e cuidados pessoais, que deve sair de 0,43% em dezembro para uma alta de 0,55% nesta leitura, e de despesas pessoais, com alta de 0,79%, depois de um aumento de 0,63% no mês passado. Nos dois casos, afirma Romão, são fatores sazonais que vão puxar os aumentos, como o reajuste de preços de profissionais liberais e o aumento sazonal de recreação, por exemplo.


A Rosenberg, que projeta aumento de 0,43% do IPCA-15, ressalta ainda o comportamento do grupo comunicação, que com a incorporação da cobrança de ICMS sobre itens de telefonia deve ter alta mais forte do que o aumento de 0,08% do mês passado. Por outro lado, nota a equipe do Santander em relatório, itens para os quais a flutuação do nível de atividade e renda são mais importantes para a determinação de preços devem seguir com inflação baixa, como é o caso de vestuário e artigos de residência. Para janeiro, a instituição estima alta de 0,34% do IPCA-15.


Sendo assim, a trajetória do índice acumulado em 12 meses, em baixa desde setembro, deve continuar pelo menos até meados do ano, avalia o banco, "visão reforçada pelas condições atuais de alta ociosidade do mercado de trabalho e comportamento benigno da taxa de câmbio". Para o Santander, o IPCA vai fechar o ano em 4,8%. Romão, da LCA, também avalia que até meados do ano o comportamento do IPCA deve ser bastante favorável, com desaceleração no acumulado em 12 meses, que pode chegar a 4,5% em junho e cair para 4,2% em agosto.


Para 2017, porém, o economista estima alta de 5,3% do IPCA, por causa de reajustes de preços administrados, como energia elétrica, diesel, gasolina e telefonia fixa, que não devem repetir o bom comportamento do ano passado. Além disso, lembra Romão, a partir do último trimestre do ano, vão sair da conta os números do fim de 2016, muito favorecidos pelos preços de alimentação muito baixos. Apenas a normalização dessa trajetória, afirma o economista, já deve levar o IPCA a acelerar.


Tainara Machado


Fonte: Valor Econômico

 

 

 

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