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Dificuldade na gestão do negócio levou família dona da fabricante de chocolate a buscar alternativa para manter marca no mercado. Produção terceirizada é parte relevante da receita
São Paulo - A fabricante de chocolates Munik estaria em busca de interessados no negócio ou de investidores para uma parceria, contou ao DCI uma pessoa próxima a empresa. Segundo a fonte, essa foi a alternativa encontrada pelos proprietários, um grupo familiar, para fortalecer os negócios da empresa.
Hoje, a Munik enfrenta um problema comum às empresas de controle familiar: a gestão. Depois de algumas tentativas para incrementar o faturamento - como a reformulação de embalagens para avançar no segmento de chocolates premium e a produção terceirizada para outras marcas - os proprietários avaliam até deixar a operação, conforme a fonte ouvida recentemente pelo DCI.
No entanto, as negociações devem avançar em ritmo lento uma vez que ainda não há nenhum interessado em comprar a fabricante de chocolates paulistas ou se associar ao grupo. "Não existe nenhuma conversa oficial em andamento, porque está em estágio inicial, mas a procura por interessados já começou. A verdade é que nesta etapa a empresa e possíveis interessados não vão querer se expor", avaliou a fonte próxima.
Na avaliação da advogada especializada em direito societário do Felzberg Advogados, Anneliese Moritz, o tempo de negociação para venda ou fusão de um negócio pode variar muito, dependendo principalmente da complexidade da operação e da situação de quem está vendendo.
"Se o dono do negócio não está numa situação muito boa, fica naturalmente mais propenso a ceder na negociação. Mas uma parte importante de qualquer processo é que a empresa passe por um processo de auditoria", explica ela.
Para empresas de menor porte, com cerca de 200 funcionários, a advogada ressalta que uma auditoria leva em média dois meses.
De acordo com a consultoria KPMG, o setor de alimentos, bebidas e fumo ficou em quarto lugar no ranking de operações de aquisição e fusão no ano passado. Entre janeiro a setembro de 2016, a categoria registrou trinta e oito operações no Brasil, número inferior ao visto um ano antes, quando 49 operações foram realizadas, mas acima das 30 fusões e aquisições em 2014.
O sócio do escritório Rocha e Barcellos Advogados, Marcos Martinelli, lembra que a auditoria na empresa envolvida na operação ajuda o comprador ou possível investidor a identificar problemas futuros, como questões trabalhistas.
"Nas empresas menores, um problema comum é a estrutura com muitas relações informais, que representam um risco [jurídico], além da parte contábil, que quando não é bem organizada, também reduz o valor da empresa", explicou o especialista.
Desempenho
No último ano, a previsão da Munik era produzir 400 toneladas de chocolate para a Páscoa, data mais importante do calendário das chocolaterias. O volume projetado deveria repetir o produzido na Páscoa de 2015. Embora o resultado não representa crescimento, se a fabricante conseguiu atingir essa meta, o desempenho ficou acima do mercado.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), a Páscoa do ano passado encolheu 27% para 14,3 mil toneladas de chocolate. "O equivalente a 58 milhões de ovos", disse o presidente da Abicab, Ubiracy Fonseca, durante o salão de Páscoa 2017, realizado este mês em São Paulo. Neste ano, a Munik não participou do evento, mas as concorrentes projetam alta de até 10% no volume de vendas para a data.
A fabricante paulista, fundada na década de 1970, detém 20 lojas no Estado de São Paulo, mas a capital concentra maior parte dos pontos de venda, com 13 unidades.
Um nicho no qual a Munik tem forte atuação hoje é nos chocolates especiais, como as versões diet e sem lactose. Esse mercado vem ganhando espaço no País nos últimos anos, o que pode favorecer a Munik em uma eventual negociação.
Jéssica Kruckenfellner
Fonte: DCI - São Paulo