Indícios de fraude não autorizam extinção precoce de recuperação judicial
O deferimento da recuperação judicial deve se concentrar no atendimento dos requisitos previstos nos artigos 48 e 51, da...
Pesquisa avalia intenção de gasto em 200 municípios do Estado e encontra consumidor cauteloso
Gabriela Pedroso
As medidas que o governo federal tem buscado implementar para estimular o consumo e fazer a economia voltar a girar não parecem estar surtindo os efeitos esperados. Com o fantasma do desemprego ainda assombrando as famílias brasileiras, o sentimento entre os consumidores permanece sendo de muita cautela e preocupação com o futuro do País. Em pesquisa inédita, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) mediu a intenção de consumo em 200 municípios do Estado e mostrou que, neste mês, a maior parte dos mineiros (76%) pretende poupar/investir a renda extra, deixando as compras em segundo plano.
O resultado do levantamento não poderia ser pior para diferentes setores da economia, que, ontem, sofreram outro baque, com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A retração foi de 3,6%, no segundo ano sem crescimento e confirmando a maior crise da história. Em 2015, o PIB registrou queda de 3,8% na comparação com 2014.
A redução do consumo das famílias em 2016 foi dos fatores que contribuíram para o encolhimento da economia. Segundo dados do IBGE, no ano passado, o brasileiro comprou 4,2% menos frente a 2015. “Essa é a pior informação que poderíamos ouvir. É o País quebrado, falido”, lamentou o presidente da FCDL-MG, Frank Sinatra, em entrevista coletiva na sede da entidade.
A pesquisa da FCDL-MG será mensal e objetiva antecipar o comportamento do consumidor e direcionar o mercado. Para março, entre os mineiros que indicaram a intenção de investir, a maioria (57,3%) afirmou que vai optar pela poupança. Segundo o analista de inteligência de mercado da FCDL-MG, Vinícius Carlos da Silva, a aplicação é preferida por ser considerada mais segura, mesmo tendo rendimentos inferiores.
As outras formas de investimentos apontadas foram previdência (15,3%), fundos de investimento (13,7%), tesouro direto (6,9%), capitalização (4,6%) e ações (2,3%).
O analista pondera que a opção de poupar em detrimento de comprar reflete a insegurança que paira sobre as famílias. “É cautela do consumidor, esperando ver como é o mercado se desenha e quais os efeitos da flexibilização da economia”, acredita.
Mesmo entre os 24% dos consumidores que deverão ir às compras no mês, a postura promete ser de contenção. Cientes da situação econômica nacional, os mineiros sinalizam um perfil de consumo direcionado aos bens considerados essenciais. Segundo o levantamento da FCDL-MG, os itens de supermercados e hipermercados aparecem na preferência de 18% dos entrevistados, seguidos de roupas (14%) e farmácia/medicamentos (8%), que fecham o Top 3 da lista.
Falta de atrativos - Os moradores do Estado criticaram a falta de atrativos que incentivem as compras. Um dos principais pontos levantados pelos mineiros foi a necessidade de mais flexibilização por parte das empresas na hora das vendas.
Frank Sinatra reconhece que medidas adotadas pelo governo, como redução dos juros e da inflação, ainda não favorecem o consumo, mas são fundamentais para a retomada do crescimento. “Os consumidores estão buscando ter sua reserva para o futuro, mas, ao mesmo tempo, para a indústria e o comércio, que empregam, se não há consumo, o que vai acontecer com essas empresas? Certa parte desse investimento tem de ser direcionada às compras, para que a roda continue sendo girada”, ponderou.
Fonte: Diário do Comércio de Minas