Notícias mercado

Compartilhe nas redes sociais:

JBS visa recomposição de margens em 2017


Redução do dólar pressionou resultados financeiros do ano passado, mas expectativa de custos mais baixos deve melhorar desempenho operacional. Produtos de valor agregado estão no radar

 

 

São Paulo - A consolidação de preços menores nos insumos de produção pecuária enquanto aumenta a oferta de gado, aliada à estabilidade no câmbio, levam a JBS a prever uma recuperação gradativa nas margens ao longo deste ano. "Estamos assistindo o preço do milho caindo e o boi, quando se olha para frente, vemos o preço cedendo. Claramente acreditamos que existe uma oportunidade e a indústria vai capturar uma recomposição de margens", disse o diretor-presidente global da gigante de alimentos, Wesley Batista, ontem, teleconferência com analistas para detalhar resultados.

 

No ano passado, o desempenho das unidades brasileiras prejudicou o lucro líquido consolidado da JBS, que teve recuo de 91,9% ante 2015. A companhia lucrou R$ 376 milhões no ano passado. Além da crise de escassez do milho, que jogou a despesa com insumos nas alturas, a desvalorização do dólar pressionou os resultados de exportação. Lá fora, a diminuição dos preços internacionais de aves e suínos também puxou os números finais para baixo.O modelo globalizado da empresa permitiu que os danos fossem minimizados, neste caso, pelo desempenho positivo da JBS USA, unidade norte-americana de carne bovina que inclui Canadá e Austrália. No quarto trimestre de 2016, houve um acréscimo de 7,9% nas exportações desta unidade, com destaque para o mercado asiático. O consumo interno aquecido nos Estados Unidos e a maior disponibilidade de animais para abate levaram o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a subir 7,3% em relação ao ano anterior.

 

Em consequência, o prejuízo líquido de R$ 275 milhões referente ao quarto trimestre de 2015 na JBS global foi convertido em lucro de R$ 694 milhões nos três últimos meses do ano passado. Agora, a analista sênior da BB Investimentos, Luciana Carvalho, aponta que todas as unidades devem se beneficiar de uma inversão de ciclo no médio prazo. "Esperamos menores custos e melhorias na margem Ebitda, principalmente devido a: alívio dos preços de grãos e gado no Brasil; maior oferta de gado e ganhos de sinergia com a aquisição nos EUA", avalia a especialista.

 

Ela se refere à compra da Plumrose USA anunciada na segunda-feira (13), fabricante de produtos como bacon e presunto, cuja sinergia com a JBS deve gerar um valor entre US$ 25 e US$ 30 milhões à controladora, de acordo com os cálculos do presidente da JBS, Wesley Batista. "O negócio com a Plumrose está em linha com o atual foco da JBS em alimentos preparados de valor agregado, e deve adicionar aproximadamente 1% de vendas ao grupo. Entretanto, isto também eleva marginalmente o endividamento", alerta a Citi Corretora. Para a analista da BB Investimentos, uma preocupação é saber se o aumento lento dos preços internacionais será suficiente para compensar a diminuição dos volumes exportados no decorrer de 2017. Do mais, o cenário traçado para a JBS nada mais é do que o reflexo projetado para a maior parte do segmento da indústria de proteína animal. "Anos de baixa no ciclo pecuário são anos melhores para frigoríficos. Se não tivéssemos um quadro de recessão econômica [no Brasil] seria ainda melhor", pondera o analista da Scot Consultoria, Alex Lopes. Só neste mês, o boi está 9,7% mais barato na variação anual.

 

 

Fonte: Fonte DCI

 

Outras Notícias