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Venda de lavadora cai mesmo com demanda de condomínio

                                      Crise hídrica tem efeito ambíguo para fábricas de máquinas de alta pressão.



São Paulo - A maior demanda dos condomínios por lavadoras de alta pressão não tem sido suficiente para compensar os efeitos da crise hídrica nas vendas. Isso porque, no varejo, as fabricantes têm registrado queda.

De acordo com executivos ouvidos pelo DCI, a crise hídrica, que por um lado tem estimulado a demanda de condomínios residenciais e comerciais por lavadoras de alta pressão como alternativa mais econômica à limpeza, vem impactando negativamente as vendas desses produtos em lojistas."O mercado doméstico tem caído com a crise hídrica, porque o consumidor final tem a imagem de que a lavadora gasta muita água, quando na verdade é o oposto", conta o diretor de operações e desenvolvimento da Wap, Paulo Sanford.

A produção de lavadoras da empresa, líder no segmento, está 25% menor este ano. A retração tem sido parcialmente compensada pelo crescimento da linha de aspiradores, cujas vendas dobraram em relação a 2014.

Sanford ressalta que a demanda de prestadores de serviços de limpeza por lavadoras mais econômicas, como para lavagem a seco, também tem crescido, principalmente na Região Sudeste. As vendas desses produtos estão 50% maiores este ano."A expectativa de produção total para 2015 varia entre queda e alta de 5%, resultado que vai depender das encomendas agora no segundo semestre", afirma o executivo. A Wap concentra nos consumidores domésticos a maior parte de suas vendas.

Já a Artlav, cujo principal mercado é composto pelas empresas prestadoras de serviços de limpeza, ainda não tem previsão fechada para o ano. Segundo o diretor da fabricante, Galdino Goes, até agora a produção registra queda de 10% contra o mesmo período do ano passado."Tenho escutado muito dos nossos compradores do setor de serviços que os clientes deles têm solicitado um corte de 20% no valor das faturas, o que impacta diretamente a compra de equipamentos", revela ele.

Apesar disso, o executivo também observou que a crise hídrica tem ajudado a elevar as vendas de lavadoras para condomínios e shoppings.

Alternativas

A JatoClean, outra fabricante do setor, também vem registrando queda nas vendas este ano e já revisou as projeções para o fechamento de 2015."Vimos uma mudança no cenário previsto e a situação hoje está mais difícil", lembra o diretor da JatoClean, Antonio Luiz Francisco. Em entrevista ao DCI, em maio, o executivo revelou que a empresa esperava alta de 7% no volume de vendas. Agora, a expectativa é empatar com o ano anterior."Buscamos crescimento nas vendas agora por meio de lançamento de produtos de maior valor agregado e com investimento na linha de aspiradores de pó, que não são afetados pela crise hídrica", diz.

Ele avalia que, sem o lançamento dos produtos - 11 neste ano - a queda nas vendas seria maior que a observada.Os novos produtos e a venda de aspiradores também foram as alternativas encontradas pela Wap e pela Artlav para compensar a retração na demanda.

A Wap lançou 14 produtos na linha de ferramentas, cinco modelos de aspiradores e apenas uma lavadora de alta pressão este ano. Na Artlav, a estratégia foi reduzir o número de lançamentos de nove para cinco. Este ano chegaram ao mercado três novos aspiradores da marca e duas lavadoras.




Veículo: Jornal DCI

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