Notícias mercado

Compartilhe nas redes sociais:

América Latina se une contra influenza aviária

O risco de entrada da influenza aviária ao único continente em que nenhum caso foi registrado levou os países da América Latina a traçarem uma estratégia unificada de prevenção ao vírus. As medidas incluem a formação de um grupo de trabalho e fundos para ações individualizadas.

"Não adianta você estar livre e o vizinho ser atacado pela doença", conta o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, ao DCI, direto do Equador, onde ocorrem reuniões sobre o tema desde o início desta semana. Os encontros foram coordenados pela Associação Latino-americana de Avicultura (ALA), da qual o executivo é vice-presidente. Cerca de 19 nações estiveram presentes. De acordo com a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), "a rota das aves migratórias que vêm do continente norte-americano, a vasta fronteira com países que não levam questões sanitárias tão a sério quanto o Brasil, e a presença natural das aves silvestres no meio ambiente, tornam o risco do vírus eminente", o que justifica a busca por ações preventivas.

Turra afirma que cada país ficará responsável pelos investimentos necessários às ações específicas, porém, uma das coisas alteradas em relação ao cenário atual é o intercâmbio de informações sanitárias entre os parceiros.

"Tomamos essa decisão para envolver mais e melhorar a interação entre os países. Desta forma, faremos exames com mais rapidez. Hoje, não há nenhum indício [da doença], mas se houver teremos mais agilidade no processo de contenção", explica o presidente.

Medidas e mercado

Sem maiores detalhes sobre a forma em que estas ações serão executadas, Turra lembra que haverá planos de contingência e medidas de biosseguridade nos países. Ficará estabelecido um grupo de trabalho com o objetivo de propor alternativas específicas em cada polo produtivo.

Além disso, haverá um processo de vigilância permanente, que trabalhará em consonância com as recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

O fornecimento de material genético avícola também esteve na pauta do encontro. Durante a reunião, produtores destacaram a necessidade de estabelecerem fornecedores em polos alternativos, que não tenham sido atingidos.

"O Brasil basicamente abastece a América do Sul com material genético avícola. Estamos buscando consolidar acordos sanitários também com os países da América Central para que nosso setor seja um fornecedor alternativo a todo o continente, especialmente em tempos de crise sanitária", destaca Ariel Mendes, diretor de produção da ABPA.

Vale destacar que a questão sanitária é um dos principais fatores que mantém o acesso livre do produto brasileiro em diversos mercados internacionais. Concorrentes como Estados Unidos, Canadá, China e México já registraram casos da doença na avicultura. "A defesa sanitária é o maior passaporte para exportar para o mundo", confirma Turra.

Levantamento da ABPA mostra que, no acumulado do ano até agosto, foram embarcadas 2,82 milhões de toneladas de frango, contra 2,67 milhões toneladas realizadas no mesmo período de 2014, alta de 5,5%. Em receita, o cenário é positivo também nos resultados em reais, com total de R$ 15 bilhões, desempenho 25,3% superior no comparativo anual. No resultado cambial, houve retração de 7,7%, com o total de US$ 4,85 bilhões.

 



Veículo: Jornal DCI

Outras Notícias