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Apesar dos resultados pouco expressivos em termos de crescimento, os supermercados mineiros vivem um momento relativamente melhor do que o registrado pelo setor no País. De acordo com o Termômetro de Vendas, pesquisa mensal da Associação Mineira de Supermercados (Amis), divulgado ontem, as vendas em Minas Gerais avançaram 0,6% no acumulado de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2014. No Brasil, o desempenho da atividade, na mesma base de comparação, ficou negativo em 0,69%.
A pesquisa mostra que agosto foi de estabilidade para as empresas do Estado. As vendas nesse mês apresentaram uma pequena alta de 0,02% em relação a julho. Já o resultado nacional foi de queda na mesma base de comparação, nesse caso de 0,29%. O superintendente da Amis, Adilson Rodrigues, avalia que essa estabilidade está dentro da expectativa do setor e, em um cenário de crise econômica, onde outros segmentos só registram queda, o resultado é positivo.
"Estamos entre os raros setores que vão ficar no azul. Nossa expectativa é que os próximos meses também registrem esses pequenos avanços, para que fechemos o ano com 1% de crescimento", diz. Ele acredita que o segundo semestre deve ser melhor do que o primeiro, tendo em vista que os consumidores já pagaram as contas que mais impactam seus bolsos nos primeiros meses do ano. "Além disso, eles já se adaptaram aos aumentos de preços, como da gasolina e da energia. Então, estão mais organizados em suas finanças", explica.
Mobilização - De acordo com o superintendente da Amis, o crescimento de 0,6% nas vendas em Minas no acumulado de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo período em 2014, é fruto de uma forte mobilização dos empresários para segurar os negócios. Rodrigues explica que, para atender o consumidor que tem necessidade de economizar, os supermercados negociam mais com os fornecedores, reduzem custos operacionais e repassam isso aos clientes por meio de ofertas.
"Em um cenário de crise, os empresários acabam se esforçando mais para garantir a venda. Por outro lado, a rentabilidade cai. Neste ano ela deverá ser de 1% do lucro líqüido, metade do que vem sendo registrado em anos anteriores", diz. Além do maior esforço dos empresários mineiros, as vendas se mantêm nos supermercados por esse ser um setor que oferece produtos de consumo básico. O superintendente lembra que, por mais que o cliente repense seu consumo, ele não deixará de ir ao estabelecimento.
A pesquisa também mostra que, na comparação das vendas de agosto deste ano com o mesmo mês em 2014, o índice é negativo em 1,02%. No Brasil, esse mesmo indicador aponta uma retração ainda maior, de 4,04%. Rodrigues afirma que a queda é fruto do momento pelo qual passa o País: o consumidor está com a renda achatada e, por isso, está mais cauteloso.
"O cliente está mais preocupado, mais desesperançoso e isso reflete no consumo. Além disso, ele tem menos dinheiro no bolso. Então, começa a fazer mais contas e mais escolhas ao ir ao supermercado", analisa. Para o superintendente, os resultados um pouco melhores registrados em Minas na comparação com o Brasil têm a ver com o índice de emprego no Estado, que é maior que o nacional. "O desemprego aqui ainda não é tão alto quanto no País. Por isso, as pessoas ainda têm renda para consumir", afirma.
Veículo: Jornal Diário do Comércio - MG