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Nível de confiança cai e afeta intenção de investimentos

A retração econômica do país e o baixo faturamento acumulados em 2015 trouxeram ao setor de comércio e serviços um sentimento quase unânime: a falta de confiança no mercado. De acordo com o SPC Brasil, em relação as vendas para o Natal, considerado um dos melhores momentos das vendas de fim de ano, 71% dos empresários brasileiros não pretendem investir em seus estabelecimentos. Com estoques carregados, equipes reduzidas e despesas enxutas, em solo potiguar, o cenário será semelhante.

Segundo Derneval Júnior, da Associação de Lojistas do Midway Mall, o maior empenho dos empresários, atualmente, tem sido evitar um total desmanche dos  quadros de funcionários. “Todo mundo está lutando para não demitir. Já estamos enxutos, tentando manter as despesas dentro do que se pode honrar. O mercado está muito duro e isto já vem ao longo do ano. O fato de não pensar em vagas temporárias ou novas contratações é pura precaução, para não gerar custo desnecessário”, salientou.

Para esta reportagem, a TRIBUNA DO NORTE procurou as grandes redes varejista e shoppings da capital. Entre os que enviaram respostas, o planejamento para oferta de vagas será mínimo. A Via Varejo que administra as Casas Bahia, informou que está dimensionada para atender a demanda, como nos anos anteriores e que, neste momento, não avalia ser necessária a contratação de funcionários temporários. C&A,  Walmart, Natal Shopping e Partage Norte Shopping ainda não possuem estimativas para contratações temporárias.

A perspectiva é confirmada também pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos últimos doze meses, o Rio Grande do Norte fechou 7.497 postos de trabalho, tendo um saldo negativo – admissões vs demissões – de 484 vagas para o comércio no mês passado. No mesmo período de 2014, o segmento acumulava saldo positivo de 527 empregos.

Crescimento

Apesar deste quadro adverso, há quem aposte em crescimento, mesmo que tímido. “Esperamos um crescimento de 3% à 5%. Se vender o que vendeu no ano passado, já é o suficiente. Ainda temos datas comemorativas e o Black Friday, que já tornou-se o 2º melhor período do ano e é extremamento positivo para fechar o faturamento”, disse Hudson Alex, gerente do Atacadão dos Eletros. Sobre contratações, contudo, ele não projeto possibilidades. “Estamos sem perspectiva para um solução política-econômica do país. Não é o momento”, afirmou.

E, entre os que vão investir, já há estratégias definidas. De acordo com a pesquisa da SPC Brasil, esse número corresponde à apenas 29%. No entanto, deste percentual, 54% pretende aumentar a variedade de produtos/serviços, 37% ampliará seu estoque e 29% apostará na divulgação da empresa. Nessa esteira, há também 19% que vão melhorar a infraestrutura institucional e 18% contratatarão mais funcionários, apostando no aumento da demanda.

Para o professor de Sistemas de Remuneração e Carreira da Faculdade Maurício de Nassau, Roosevelt Bezerra, essa necessidade de aumentar as vendas e tais estratégias mudam também o perfil dos profissionais requisitados. “A grande dificuldade das empresas, hoje, é vender. Os faturamentos diminuíram consideravelmente e isso tem incluído maus resultados para a arrecadação tributária. O comércio vai ter que buscar funcionários para a promoção de produtos. Não vejo perspectiva para cargos de liderança, no momento atual, porque custam alto, mas, as vagas tática/operacionais, de marketing, publicidade, ganham força”, analisou.



Veículo: Jornal Tribuna do Norte

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