Fraude à execução fiscal requer intimação prévia do terceiro adquirente, diz STJ
Mesmo em casos tributários, o reconhecimento da fraude à execução quando o devedor aliena ativos que poderiam ser usados para o pagamento...
A anglo- sul africana SABMiller, segunda maior cervejaria do mundo, rejeitou uma oferta “informal” de compra feita pela líder do setor, Anheuser- Busch InBev, de US$ 100 bilhões, por considerá- la baixa demais, informou a agência de notícias Bloomberg, citando uma fonte familiar às negociações. Em meio à especulação sobre os rumos do acordo e à divulgação de queda nas receitas do terceiro trimestre, as ações da empresa recuaram 3,8%, a £ 36,22 — a proposta inicial da AB InBev avaliava a concorrente em pouco mais de £ 40 por ação, enquanto acionistas apostavam em £ 45 como um valor justo, o que significaria uma proposta de compra pela SABMiller de cerca de US$ 110 bilhões.
Segundo a Bloomberg, depois da rejeição, a SABMiller comunicou à AB InBev os termos com os quais pretende negociar. Não há decisão final sobre uma oferta formal, e é possível que a cervejaria belgobasileira desista do acordo, informou a fonte. AB InBev e SABMiller não comentaram o assunto.
Consumo de emergentes puxa alta de vendas
Outra fonte disse à agência Reuters, porém, que as discussões estão em curso e que ambos os lados falam em, eventualmente, pedir uma prorrogação do prazo de 14 de outubro para apresentação da oferta formal, dada a complexidade de tal acordo. Segundo as regras do Reino Unido, a produtora de Budweiser e Stella Artois teria até as 17h ( horário local) desse dia para anunciar uma “firme intenção” de fazer uma oferta e especificar os detalhes dela.
Se retirar formalmente a oferta, a AB InBev teria de esperar seis meses para tentar um novo acordo. No período, a belgo- brasileira poderia comprar até 30% das ações da concorrente no mercado aberto, ou a SABMiller poderia reduzir a quarentena ao decidir que está aberta a negociações.
Os rumores sobre o andamento do acordo, com potencial para criar uma companhia de US$ 275 bilhões, começaram na segunda- feira. O jornal “New York Post” informou que o chefe do conselho da SABMiller, Jan du Plessis, e sua equipe de gestão estão se “inclinando” para lutar contra a oferta esperada da AB InBev. Para alguns analistas, porém, os temores sobre um fim das negociações é exagerado. Na avaliação do banco de investimentos Stifel “é improvável que a AB InBev tenha feito uma oferta inicial sem espaço para subir o preço”.
A especulação ganhou mais força depois que o maior investidor sul- africano da SABMiller, a estatal Corporação de Investimento Público, expressou ontem preocupação de que a proposta de aquisição “poderia criar monopólio na indústria global de cerveja, tornando o mercado mundial de cerveja não competitivo”. Ao jornal “Financial Times”, Dan Matjila, executivo- chefe da empresa, negou ser contra um acordo:
— Não estamos dizendo que somos contra o acordo, estamos dizendo que preferimos que as ações, quer se trate de uma entidade combinada ( ou não), estejam listadas na Bolsa de Johannnesburgo.
Pesou ainda para o clima de especulação os resultados positivos do segundo trimestre da SAB Miller, divulgados nove dias antes do previsto e oito antes do prazo da oferta formal da AB InBev. O relatório mostrou que o volume de cerveja produzida cresceu 6% no período, ajudado pelo consumo em África ( 11%) e América Latina ( 9%) — um resultado que pode aumentar o poder de barganha da anglo- sul africana. As vendas subiram 4%.
Em tom otimista, e talvez num sinal de que a oferta terá novo patamar, o presidente- executivo Alan Clark falou da “incomparável vocação ( do grupo) nos crescentes mercados de cerveja do mundo”, apesar do câmbio desfavorável em alguns países.
Veículo: Jornal O Globo