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Comércio terá primeira queda anual desde 2003

O comércio terá em 2015 a primeira queda anual nas vendas em 12 anos, desde 2003. As projeções são de queda de até 4% do varejo, como é o caso do Bradesco, um reflexo da piora do mercado de trabalho e da renda e do crédito no País. Em 2003, o comércio caiu 3,7%, mas registrou taxas positivas entre 2004 e 2014. A maior alta ocorreu em 2010, de 10,9%. No ano passado, o ritmo de alta já foi menos intenso, de 2,2%.

"O que se vê no varejo era esperado diante do que ocorre nos mercados de trabalho e de crédito. Há uma destruição forte de empregos e houve encarecimento do crédito, além de encurtamento dos prazos das operações. As famílias estão menos confiantes e menos propensas a assumir novas dívidas", afirma o economista da LCA Consultores Paulo Neves.

Em agosto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo caíram 0,9% frente a julho - o pior resultado para agosto desde o início da série histórica, de 2000 - e 6,9% em relação a agosto de 2014 - a queda mais intensa para o indicador desde março de 2003, quando foi de 11,4%.

Mais do que um cenário de curto prazo, o que Neves aponta é que não há perspectiva de melhora do varejo a curto prazo. Diante dos números de agosto, a projeção da LCA Consultores para a perda do comércio em 2015 foi ampliada de 3% para 3,5%. Para 2016, ainda não se espera alta. A estimativa da LCA Consultores é de recuo de 0,2%, enquanto o Bradesco espera queda de 2%.

Em relatório, o banco Goldman Sachs apontou que o cenário para o consumo privado e as vendas do varejo continua negativo diante da forte desaceleração do crédito - tanto de bancos públicos quanto privados -, ao elevado nível de endividamento das famílias, piora na criação de vagas de trabalho e renda, taxas mais altas de juros, tarifas mais caras, incerteza política e econômica e os baixos níveis de confiança do consumidor.

Retrocesso - As vendas do comércio varejista em agosto foram ruins em todos os segmentos que compõem a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e, no âmbito do varejo restrito, a queda de 3,0% no volume de vendas no acumulado do ano já fez o segmento retroceder a níveis de 2012, segundo o economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria Integrada.

"Nos oito meses de 2015, dois anos de crescimento foram jogados fora", comentou. Na avaliação do especialista, o processo de reversão do crescimento do setor tem sido "muito forte em 2015" e deve se estender ao longo de 2016. "Até o ano que vem, vão ser de três a quatro anos de retrocesso em termos de volume de vendas", disse.

O especialista ressalta que a queda de 0,9% nas vendas do varejo restrito em agosto deve levar a um corte na projeção da Tendências para o resultado de 2015, atualmente de recuo de 4,1%. "Se a atual situação ficasse estagnada até o fim do ano, a retração já seria de 4,3%", afirmou.



Veículo: Jornal Diário do Comércio - MG

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