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Conjuntura anima exportadores brasileiros na Anuga

*Wagner Hiláriode Colônia, Alemanha

 


A Apex Brasil (agência de promoção à exportação) espera que os 84 expositores, que trouxe à Anuga, gerem R$ 1,4 bilhão, considerando os 12 meses seguintes aos negócios iniciados na feira

 



Brasil participa da Anuga 2015 com 96 empresas

 

Como acontece em quase todas as edições da Anuga, o Brasil marca forte presença ao evento neste ano. São 96 empresas expondo na feira, o que torna o País um dos mais significativos nesse quesito. Desse montante, a grande maioria, 84, participa da Anuga por meio do auxílio da Apex Brasil, a agência de promoção à exportação do País.


O momento favorável, sobretudo em função do câmbio, que, no caso do real depreciado, torna o preço dos produtos fabricados no Brasil mais competitivos, ajuda a explicar, embora haja outros fatores também, porque a Apex espera que os 84 expositores, que trouxe à Anuga, gerem, considerando os 12 meses seguintes aos negócios iniciados na feira, cerca de R$ 1,4 bilhão, o equivalente a R$ 300 milhões a mais do que foi gerado, no mesmo período, em função da Anuga realizada em 2013.


"Esse tipo de evento, pela experiência que temos, é o que nos traz mais retorno. Por isso, fazemos questão de vir e bem representados", diz o coordenado de Promoção de Negócios da Apex Brasil, Rafael Prado. O executivo da Apex ressalta que a agência dispõe de nove escritórios espalhados em pontos diferentes e estratégicos do mundo e que, para esse tipo de evento, ao menos um é acionado para organizar missões de negócios com a indústria brasileira. "Para esta Anuga, trouxemos um grupo de compradores do mundo árabe", completa Prado.


De fato, alguns dos empresários brasileiros, com os quais conversamos, disseram estar com negociações bem avançadas para reforçar suas vendas para países árabes, caso da indústria paranaense de doces (candies), Peccin, que, até 2007, exportava para mais de 70 países e tinha, nas exportações, 35% de sua receita. "A valorização do real fez com que perdêssemos alguns mercados, mas estamos, agora, com o câmbio a favor, trabalhando para recuperá-los; é o caso de alguns mercados árabes e, também, da Alemanha, de onde tivemos de sair, há seis anos, por uma questão de competitividade em preço, e para onde trabalhamos para voltar", afirma o presidente da empresa, Dirceu Pezzin.


Os consumidores alemães, aliás, segundo o diretor de Relações Públicas e Comunicação da Associação Nacional Alemã de Distribuição e Varejo Alimentar (BVLH), Christian Böttcher, estão sedentos por novos produtos alimentares, desde que sejam de qualidade. "O alemão está disposto a pagar caro, se for preciso, por produtos de qualidade, que, no caso, em primeiro lugar, significa ter um gosto bom. Depois, entram alguns aspectos importantes, como o fato de precisarem ser resultado de um processo sócio, ecológico e economicamente sustentável", diz.


De acordo com números da BVLH, o varejo alemão deve crescer, pelo menos, 2%, o que, para uma economia madura e já rica, não é pouco. O desempenho alemão, naturalmente, é um termômetro do mercado europeu, que, embora não muito, também deve crescer, assim como os Estados Unidos.

 


* Wagner Hilário é subeditor da revista SuperHiper, publicação da ABRAS.

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