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Principal concorrente do suco de laranja produzido no Brasil tem ganho de produtividade com colheita mecanizada da fruta e usa arrendamento de terras para reduzir custos produtivos
Dodow, Alemanha - Nos dois últimos anos, o maior consumidor de sucos da União Europeia, a Alemanha, viu a demanda per capita da bebida passar de 40 litros para 36 litros por ano, uma redução média 10%. Em geral, o sabor maçã já é o mais apreciado naquele país e, além disso, indústrias do segmento têm apostado na produção própria.
A diversificação de produtos também ajuda a garantir uma fatia deste mercado, um entrave a mais para os brasileiros que produzem suco de laranja e seguem na disputa pelo continente mais rentável do setor. Dê olho nas movimentações negativas do mercado, a WeserGold - uma das maiores produtoras de maçãs e fabricantes de suco do mundo - tem como estratégia é a verticalização com domínio de todas as etapas do processo. "Além da produção própria ser 10% mais barata, há uma preocupação com a cadeia produtiva, de onde vem o suco", diz o membro do conselho da empresa, Frank Jehring.
Com a unidade fabril a poucos metros da lavoura, aumenta a qualidade do produto, principalmente, do tipo NFC que é mais delicado. Para a redução na demanda pelo suco 100%, houve um acréscimo na produção de águas. Hoje a companhia conta com 90 tipos de bebidas diferentes. "A água não chega a ser uma estratégia, mas é uma tendência de mercado", justifica.
Dados da Associação Europeia de Sucos de Frutas (AIJN) mostram que, só no ano passado, os alemães consumiram 2,4 bilhões de litros de sucos e néctares, liderando a demanda da União Europeia mesmo em um cenário de retração. No mesmo período os brasileiros foram responsáveis pelo consumo de apenas 70 milhões.
Produtividade no campo
O diferencial da WeserGold começa na lavoura de 800 mil hectares com produtividade de 35 toneladas por hectare, sendo que, em anos bons, esse volume pode saltar para 50 toneladas. Ainda há um cultivo orgânico de mil hectares.
Jehring conta que durante 15 anos a companhia desenvolveu máquina colhedora que fez com que a mão de obra do campo caísse de 180 para 70 pessoas. As plantas mais novas também carecem de pessoas para retirada das frutas. Foram cerca de 200 mil euros investidos para que as atuais 560 mil árvores tivessem em torno de 75% da colheita mecanizada.
"Entre 10% e 15% das frutas caem no chão com a passagem da máquina e então precisamos de pessoas que terminem esse trabalho", explica o executivo. O equipamento possibilita o recolhimento de duas mil frutas por dia e os funcionários recebem cerca de oito euros por hora trabalhada.
A cada 100 quilos de frutas são recebidos 11 euros, visto que, em 2014, a receita pelo mesmo volume girava em torno de três euros. Nas máximas, o pagamento já atingiu 19 euros. Do lado das despesas, cerca de 20% dos custos de produção são pagos com arrendamento de terras.
Fabricação
Segundo Jehring, o rendimento das maçãs chega a 70%, se na laranja são necessários 40 quilos para a produção de 20 litros de suco, na fruta da WeserGold dez quilos permitem a confecção de sete litros da bebida. Atualmente, a companhia mantém cinco fábricas - Alemanha, Suíça, Espanha, Polônia e Costa Rica - produção de setembro a janeiro, sendo 40% de fabricação própria.
Para a produção anual de 200 milhões de litros de suco são necessários 100 milhões de litros de água. "Essa proximidade entre a unidade alemã e a lavoura só foi possível por conta de um programa do governo que subsidiava 25% para quem comprasse terras ou construísse plantas fabris", lembra o executivo. A fábrica localizada em Dodow, na Alemanha, possui 33 hectares.
Veículo: Jornal DCI